quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O ferro enferruja quando não é utilizado

As águas estagnadas perdem sua pureza e congelam no frio. Do mesmo modo, a ociosidade esgota a força da mente.
(Leonardo da Vinci).


Acabei não passando mais vezes por aqui para postar meus textos... Ainda pela falta de criatividade (ou qualquer coisa do gênero, que está me impedindo de escrever). Estava olhando algumas frases e poesias, encontrei esta e resolvi postar, até porque admiro 'da Vinci'.
Minhas aulas começam na próxima semana, então falta pouco tempo para que meu cérebro volte à ativa. Aparecerei mais por aqui.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

I knew he would...

Ela perdera o avô paterno quando era bem pequena, quase não tem contato com o pai de sua mãe.
Ela é do tipo de pessoa que sempre pensa: "Será que meus pais estarão vivos quando eu tiver meus filhos? E meus avós "restantes", será que terão a chance de conhecê-los?".
Perdera sua avó materna há pouco tempo. E a mãe de seu pai tem muitos problemas de saúde.
Seus pais são relativamente velhos. Alguns pensam que se tratam de avós.
O pai é alcoólatra e deixara o cigarro após descobrir um pequeno tumor benigno no pulmão.
Esses problemas relacionados ao pai sempre a deixara preocupada. Tinha medo de que seu pai não durasse por muito tempo. Tinha vontade de que ele deixasse os vícios e que ela pudesse chegar, orgulhosa, na frente de alguns parentes - maternos - dizendo: "Agora vocês podem parar de falar do meu pai. Podem parar de fazer piadinhas ridículas, sem a menor graça. Agora não existe mais aquele cara "doente", como vocês diziam. Ele está curado e vocês conseguiram acabar com todo o respeito que eu tinha por cada um aqui. Então, morram!" Isso soaria "grosseiro demais" para qualquer pessoa, menos para ela, que sempre teve que ouvir comentários desagradáveis sobre seu pai. Sempre teve que engolir o que as pessoas diziam. Comentários que a deixavam extremamente magoada e que ia destruindo o carinho que sentia pelos parentes como... Como se fossem casas sendo demolidas. Era o que ela sentia. Cada palavra que saía das bocas deles, eram uma parede que era derrubada. Apesar dos vícios, das brigas e de qualquer outra coisa, ela era sua filha e o amava mais do que tudo!
Seu pai tinha constantes discussões com sua mãe, que sempre dava um jeito de jogar na cara dele que ele era doente, viciado e que a culpa daquelas situações extremamente desagradáveis eram da bebida, que ele já havia sido internado para deixar a pinga, mas encontrara a cerveja e que o tratamento não havia adiantado nada. Ele precisava de internar novamente!
A menina era a única que o entendia, a única que se esforçava para fazê-lo se sentir bem, dentre todas aquelas pessoas que o olhavam estranho.
Às vezes o clima ficava pesado, mas ela sempre estava ali, segurando a barra para ele, apesar da pouca idade. Aliás, pouca idade entre aspas, porque para muitas coisas, ela era nova demais. Para outras, já estava "passando da hora". Isso a confundia. Mas, em relação às outras pessoas, era, sim, pouca idade.
Quando pequena, fingindo acreditar em Papai Noel, escrevera uma carta destinada ao "bom velhinho" pedindo apenas uma coisa: "Quero que meu pai pare de beber e de fumar". Porque, até então, ele não havia deixado os cigarros. Depois dessa vieram outras cartinhas com o mesmo pedido, mas, estas, destinadas ao próprio pai.
Sempre fora tímida, sempre tivera dificuldade para falar certas coisas, então, preferia escrever. E o fazia. Nem os apelos foram suficientes para fazer com que ele largasse os vícios.
E o tempo foi passando...
Surgiu, então, o problema que o fez deixar um dos problemas. Foi necessário paciência de todas as pessoas que o cercavam, porque a abstinência o deixava irritado. Com o tempo se acostumou com a falta. Se orgulhava ao dizer: "Eu larguei o cigarro!" E, com um pouco menos de empolgação, dizia em seguida: "...e vou largar a bebida também." Mas nada acontecia de fato.
Ele resolvera passar um tempo na casa de sua mãe, passar o Natal com ela - o que não fazia havia um tempo -. Alguns dias depois, a menina ligou e sua avó lhe disse: "Seu pai está parando de beber... Rezo todos os dias, pedindo à Deus que o ilumine e que o tire desse caminho..." - a menina fazia o mesmo. Pedia à Deus, com toda sua fé, que Deus o tirasse aquele vício terrível! -, logo depois falou com seu pai. Se sentiu bem ao ouvir sua voz, mas, ao mesmo tempo, se sentiu estranha ao perceber, pela voz, que ele estava nervoso, o que fez com que pensasse que ele estava mesmo sem a bebida, porque quando isso acontecia, ele se irritava.
Comentou com sua mãe e ela riu. Riu porque não acreditava que ele era capaz de parar, achava que já era tarde demais para aquilo acontecer. Como o de costume, a menina (que não perdera as esperanças, mesmo depois do comentário - que achara maldoso - da mãe) fechou a cara, porque acreditava, sim, na capacidade de seu pai.
Pouco menos de vinte e quatro horas após a ligação, ele chegara de viagem. Estavam todos sentados à mesa: A menina, entre a avó e a mãe, as irmãs (uma da mãe, outra do pai) e uma sobrinha (com quem não combinava de forma alguma). O pai de pé, disse de repente para a cunhada: "É... Eu acho que é o meu fim com a cerveja."
Ao ouvir aquilo, a garota olhou, com um imenso sorriso no rosto, completamente satisfeita, orgulhosa e com os olhos brilhando, para a avó, que a olhara com a mesma feição. Depois virou o rosto, olhando para sua mãe e dizendo, "ele é, sim, capaz!", com os olhos. A mãe deu um leve sorriso, também orgulhosa, e balançou a cabeça como se dissesse: "Você acertou.". Para encerrar aquele diálogo feito através de olhares, a menina levantou a sobrancelha esquerda, como tem costume de fazer, como se dissesse: "Sempre acreditei nele, sempre soube que o faria, mais cedo ou mais tarde".
Virou o rosto e lançou o mesmo olhar - da sobrancelha levantada - para os parentes que faziam piadinhas. Recebeu um sorriso, como o que recebera de sua mãe, de cada uma. Logo depois olhou para seu pai, como se quisesse ouvir de novo aquela frase que sempre quis vê-lo falando! E ele continou: "Vou tirar da minha vida todas as coisas que me fazem mal." Aquilo soava perfeitamente bem para ela.
Em um só dia ganhou muitos presentes...
Ver o pai, a avó e os outros parentes; poder matar as saudades deles; a notícia de que seu maior sonho se realizará; ver seu pai e a sobrinha dele almoçando na mesma mesa, sem vozes alteradas, sem xingamentos ou qualquer outra coisa desagradável.


Esse foi meu dia.
Eu estava me sentindo esperançosa em relação ao novo ano. E a primeira boa notícia chegou logo... Estou completamente satisfeita.
Não é todo dia que um sonho que se tem desde a infância se torna realidade, né?! *-*

PS: Desculpem-me pelos termos repetidos inúmeras vezes.
Estou cansada, mas tinha que compartilhar a boa notícia antes de ir pra cama.